Quando a gravidez demora a acontecer, ainda é comum que a primeira investigação recaia sobre a mulher. Mas a medicina reprodutiva mostra que esse olhar precisa ser compartilhado: fatores masculinos e femininos participam em proporções semelhantes dos casos de infertilidade. Por isso, avaliar o casal desde o início pode encurtar o caminho até o diagnóstico e ajudar na escolha do tratamento mais adequado.
Durante décadas, a dificuldade para engravidar foi associada quase exclusivamente à mulher. Era ela quem, na maioria das vezes, iniciava uma longa jornada de exames e tratamentos, enquanto a investigação masculina acabava ficando em segundo plano.

Felizmente, essa realidade mudou. Hoje, a medicina reprodutiva reconhece que a infertilidade deve ser avaliada sempre como uma condição do casal, tornando o diagnóstico mais rápido, preciso e eficiente.
“A fertilidade nunca deve ser encarada como responsabilidade de apenas uma pessoa. Quando um casal encontra dificuldade para engravidar, ambos precisam ser investigados desde o início. Esse cuidado evita atrasos no diagnóstico e aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento”, explica a Dra. Carla Iaconelli, especialista em Reprodução Humana.
Estudos mostram que os fatores femininos e masculinos participam em proporções semelhantes dos casos de infertilidade. Aproximadamente 40% apresentam predominância de fatores femininos, cerca de 40% estão relacionados ao homem e os demais envolvem causas combinadas ou permanecem sem uma explicação definida mesmo após investigação completa.
Entre as principais causas da infertilidade masculina estão a varicocele, alterações na produção ou qualidade dos espermatozoides, distúrbios hormonais, alterações genéticas, infecções, obstruções dos canais seminais, além de fatores ligados ao estilo de vida.
“Muitos homens não apresentam qualquer sintoma. A vida sexual pode ser absolutamente normal e, ainda assim, existir uma alteração na fertilidade. Por isso, a avaliação especializada é tão importante”, destaca a médica.
O primeiro passo da investigação costuma ser o espermograma. Dependendo do resultado, podem ser necessários exames hormonais, genéticos, de imagem e testes que avaliam a integridade do DNA espermático.
Na maioria das situações existem alternativas terapêuticas. Mudanças no estilo de vida, tratamento clínico, correção cirúrgica da varicocele e técnicas modernas de reprodução assistida permitem que muitos casais realizem o sonho da gravidez.
“Hoje conseguimos oferecer soluções altamente individualizadas. Cada casal possui uma história e um planejamento reprodutivo diferentes. Nosso papel é identificar a causa da infertilidade e indicar o caminho mais adequado para aquela realidade”, afirma a Dra. Carla.
O congelamento de sêmen também representa uma importante estratégia de preservação da fertilidade para homens que desejam planejar a paternidade ou que passarão por tratamentos capazes de comprometer a função reprodutiva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente uma em cada seis pessoas enfrentará infertilidade em algum momento da vida, mostrando que esse é um desafio frequente e que merece acolhimento, informação de qualidade e acompanhamento especializado.




