Saúde, tecnologia, estética e negócios em um só lugar12 de setembro de 2026
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Por que médicos estão buscando uma segunda carreira na perícia médica? Judicialização da saúde amplia demanda por especialistas

A integração entre Medicina e Direito tem se tornado cada vez mais importante para a atuação pericial diante do aumento das demandas judiciais na saúde

A judicialização da saúde, o aumento das demandas previdenciárias, trabalhistas e securitárias e a crescente complexidade das decisões envolvendo incapacidade, responsabilidade médica e direitos dos pacientes têm ampliado o espaço para a atuação da perícia médica no Brasil. Esse avanço, no entanto, contrasta com o número ainda reduzido de profissionais disponíveis: atualmente, o país conta com aproximadamente 1.800 peritos médicos, o que evidencia a necessidade de ampliar e qualificar a formação de novos especialistas na área.

Para a médica Linelly Morellato, com atuação em medicina, auditoria, gestão em saúde, regulação, liderança e Direito Médico, a perícia exige competências que vão muito além do conhecimento clínico.

“A perícia médica exige método, imparcialidade, capacidade de análise e compreensão das consequências de cada conclusão. O perito transforma informações clínicas em uma análise técnica, fundamentada, contribuindo para decisões administrativas, previdenciárias, trabalhistas, securitárias e judiciais”, afirma.

Ao lado do advogado Tiago Lisboa, ela coordena a pós-graduação em Perícia Médica do Ensino Einstein. A dupla reúne experiências complementares para preparar médicos para uma área em constante transformação.

“Nossa atuação é complementar. Eu contribuo com a visão médica, assistencial, de gestão, auditoria e tomada de decisão em saúde, enquanto o Tiago agrega a perspectiva jurídica e sua experiência em Direito da Saúde. Essa integração permite construir uma formação conectada tanto à realidade médica quanto às exigências legais da atuação pericial”, explica Linelly.

Segundo Tiago, um dos maiores equívocos sobre a profissão é acreditar que a perícia consiste apenas em examinar um paciente e emitir uma opinião.

“A atuação exige estudo dos documentos, método, imparcialidade, conhecimento técnico e responsabilidade sobre cada conclusão apresentada. O compromisso do perito judicial deve ser com a análise técnica e com a verdade possível de ser demonstrada a partir das evidências”, destaca.

Medicina e Direito caminham juntos
A trajetória de Linelly foi construída na interface entre medicina, gestão, auditoria, regulação, liderança e Direito Médico. Ao longo da carreira, percebeu que muitas decisões em saúde extrapolam o cuidado assistencial e exigem análise técnica, documental, ética e jurídica.

Já Tiago consolidou sua atuação como advogado com foco em Direito da Saúde, acompanhando de perto as relações entre a prática médica, a legislação e a responsabilidade dos profissionais e das instituições.

A experiência dos dois chamou a atenção do Ensino Einstein, que os convidou para coordenar a pós-graduação em Perícia Médica cerca de um ano após concluírem o MBA Executivo em Saúde realizado na instituição.

“A principal motivação foi contribuir para uma atuação pericial mais qualificada, responsável e fundamentada. Acreditamos que uma boa formação protege o profissional, melhora a qualidade das decisões e gera benefícios para as instituições e para toda a sociedade”, afirmam.

Uma carreira com diferentes possibilidades de atuação

A perícia médica oferece oportunidades de atuação nas esferas judicial, previdenciária, trabalhista, securitária e administrativa. O profissional pode atuar como perito nomeado pela Justiça, assistente técnico das partes, perito previdenciário, médico de juntas e comissões de avaliação ou em processos relacionados à incapacidade, ao dano corporal, à responsabilidade médica e à concessão de benefícios. O médico também pode atuar como assistente técnico, auxiliando uma das partes em processos judiciais por meio da elaboração de pareceres e análises técnicas.

O crescimento da judicialização da saúde torna cada vez mais importante a formação de profissionais capazes de produzir laudos consistentes, interpretar documentos, avaliar incapacidade e nexo causal e comunicar suas conclusões de forma clara e fundamentada.

“A medicina evolui constantemente, e a atuação pericial precisa acompanhar essa evolução. O profissional precisa desenvolver raciocínio crítico, capacidade de análise documental, escrita técnica, ética e atualização científica permanente”, afirma Linelly.

Para os coordenadores, o principal legado da formação é preparar médicos para atuar com segurança diante de decisões que podem impactar diretamente a vida das pessoas.
“Um bom perito não apresenta apenas opiniões. Ele apresenta conclusões fundamentadas”, conclui Tiago.

A pós-graduação em Perícia Médica do Ensino Einstein é voltada exclusivamente para médicos que desejam iniciar ou aperfeiçoar sua atuação na área. Com início em setembro de 2026 e término previsto para agosto de 2027, a especialização é oferecida em formato semipresencial e integra conhecimentos médicos, fundamentos jurídicos e aplicação prática, com foco na elaboração de laudos e pareceres, avaliação de incapacidade e nexo causal, análise documental e desenvolvimento do raciocínio pericial. O curso é coordenado pela médica Linelly Morellato e pelo advogado Tiago Lisboa.